Após ter sido suspenso das suas actividades eclesiásticas como pároco da Igreja Imaculada Conceição, o mediático padre Jorge Casimiro Congo, na sequência de um controverso pedido de demissão, vai deixar a direcção da Universidade Lusíada Pólo de Cabinda no final deste mês, um cargo que ocupava desde 2002.
Jorge Congo é considerado como o padre mais carismático de Cabinda reputado pelas denúncias consecutivas das violências e dos excessos praticados pelas autoridades angolanas no enclave. Durante as convulsões contra nomeação de Filomeno Vieira Dias como Bispo de Cabinda, em que se defendia que aquele cargo deveria ser ocupado por um clérigo originário do enclave, Jorge Congo foi suspenso de todas as actividades eclesiásticas. As posições críticas contra o Memorando de Entendimento assinado por António Bento Bembe também se reflectiu nas várias interdições de se deslocar ao estrangeiro impostas ao clérigo além de algumas detenções de que foi vitima, situação agravada pela ligação de Jorge Congo à associação de defesa dos Direitos Humanos em Cabinda, Mpalabanda, entretanto ilegalizada pelo Governo de Luanda.
Contactado pela PNN um membro da Associação dos Estudantes da Universidade Lusíada - Pólo de Cabinda disse que quando obtiveram a informação da demissão de Jorge Congo reuniram-se para avaliar a crise e «imediatamente o recinto foi cercado por polícias e elementos da secreta angolana». A mesma fonte afirmou que Rui Mingas, co proprietário da universidade, contactado por um representante da associação recusou o pedido dos estudantes da recondução de Jorge Congo até ao fim do ano lectivo em curso, declinando «dar mais explicações», mas reconheceu que tem sido pressionado para fechar o pólo de Cabinda da Universidade Lusíada.
«É uma crise sem precedentes na Universidade Lusíada», afirmou o membro da associação de estudantes, «com esta medida muitos alunos vão abandonar o estabelecimento, dado que foi o rigor do padre Congo que atraiu muitos estudantes».
A partida de Jorge Congo da Universidade Lusíada está a ser encarada com grande apreensão pelos alunos. Além da demissão ocorrer durante o ano lectivo, interpretam como «um acto puramente político» e mais uma tentativa de Luanda para «neutralizar o padre Congo e o esvaziar de todos os seus meios». Esta posição é reforçada pelos laços de parentesco com a nomenclatura do MPLA de Rui Mingas, o qual é primo direito de Filomeno Vieira Dias e de Hélder Vieira Dias «Kopelipa» próximo do presidente angolano José Eduardo dos Santos.
Segundo a PNN pode apurar Rui Mingas ambiciona assumir o posto de Governador Provincial de Cabinda, até agora ocupado por Aníbal Rocha, assim pretende afastar todas as suas «relações que possam incomodar o Governo de Luanda» e que possam por em causa esta eventual nomeação.
A Universidade Lusíada de Angola é uma instituição independente da sua homónima lusa com a qual tem protocolos de cooperação académica e acordos para cursos de mestrado e doutoramento com o Governo português. Além de Luanda, a Universidade Lusíada dispõe de dois pólos em Benguela e Cabinda que conta com mais de 800 estudantes.
Iniciou as suas actividades com o ensino propedêutico em 1999 nas áreas económicas, jurídicas e engenharia. Em 2001 é criada oficialmente a Universidade Lusíada de Angola, propriedade de uma organização angolana, «Saber Angola», constituída por dois sócios, embaixador Rui Mingas e Paulo Murias.
Rui Neumann
Fonte: Ibinda |