E entre esses motivos, o primeiro e quase que único tem a ver com questões de saúde.
O Presidente angolano saiu do país na semana passada com destino a Barcelona, no Reino de Espanha, em «visita particular», segundo comunicado dos seus serviços de apoio.
Sabe-se que, Eduardo dos Santos deverá participar na Cimeira da OPEP, agendada para a próxima semana na Arábia Saudita e comenta-se que, no regresso, passe alguns dias no Dubai.
Barcelona tem sido um destino recorrente do Presidente angolano nos últimos tempos, sobretudo depois do escândalo «Angolagate» em França, a anterior principal opção para as «visitas particulares».
Ao não estar presente em Angola no 11 de Novembro, O Presidente angolano alimenta algumas especulações já antigas sobre o seu estado de saúde, podendo ter sido este o verdadeiro motivo da sua deslocação à Barcelona.
Uma deslocação que se interpôs a várias iniciativas diplomáticas que José Eduardo dos Santos tem estado a liderar tentando emprestar algum prestígio aos inegáveis sucessos económicos do país.
Angola anda na boca do mundo, por estar entre os países com maiores índices de crescimento económico mundial que lhe projectam investimentos sérios em vários sectores que não apenas o petrolífero.
O petróleo continua a ser o maior indicador para esse crescimento que está longe de representar igual indicador de desenvolvimento.
Um país de gritantes contrastes: entre os maiores produtores africanos de petróleo e uma pobreza gritante, acentuada com assimetrias sociais que lembram outras realidades mundialmente conhecidas.
Tanto potencial económico torna o país numa apetecível zona de investimento e estimula a apetência em tornar-se numa potência regional.
Depois das intervenções militares em vários conflitos africanos e uma vez alcançada a paz internamente, Angola procura posicionar-se na liderança político-económica e diplomática não só na sub-região austral do continente, mas um pouco para além disso.
Para tal impõe-se uma actuante ofensiva diplomática que, entregue inicialmente a figuras secundárias, tem vindo, ultimamente, a ser assumida pessoalmente por Eduardo dos Santos.
Se é consabido que a diplomacia depende directamente do Chefe de Estado, o seu empenho pessoal, na opinião de vários analistas, fica a dever-se à necessidade de lhe conferir uma legitimidade política, numa altura em que são cada vez maiores os sinais de mudanças nos ciclos políticos africanos.
Como disse recentemente o ex-Chefe de Estado de Moçambique, acabou-se a era dos «Presidentes vitalícios» e Eduardo dos Santos já leva um longo consulado de quase trinta anos.
Terminado o conflito interno e com os ganhos na economia, torna-se difícil para as autoridades angolanas justificarem a não realização de eleições gerais no país.
Com muito menos recursos e em muito menos tempo outros países têm sufragado os seus dirigentes e a lenta preparação das eleições em Angola começa a «incomodar» essa pretensão angolana em afirmar-se como potência regional.
E o Presidente Eduardo dos Santos, que em outras ocasiões pautou a sua actuação pela ausência quase sistemática nos fóruns regionais e continentais, terá compreendido a necessidade de capitalizar também nesses areópagos, alguns ganhos políticos que se lhe reconhecem internamente, como factor de estabilidade política.
Os acordos de cooperação, com perdões de dívidas ou investimentos directos angolanos nos países visitados e a visitar, são apenas recursos para procurar justificar a manutenção no poder da mesma elite política há mais de trinta anos apenas e uma única vez sufragada pela população, já lá vão quinze anos.
O atraso na realização de eleições em Angola e a possibilidade de Eduardo dos Santos vir a concorrer à sua própria sucessão, poderão estar por trás das razões porque, como que de repente, o Presidente de Angola decidiu sair do seu casulo e «mostrar-se» aos seus homólogos mundiais e continentais.
fonte: VOA
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